sábado, 26 de janeiro de 2013

O TERRORISMO E A ENERGIA: DEPENDÊNCIA E INSEGURANÇA



A recente crise ocorrida num campo de exploração de gás natural na zona leste da Argélia veio relançar o debate e o receio sobre a segurança e a dependência energética, alguns meses após a tensão geopolítica entre o Irão e os Estados Unidos no estreito de Ormuz, importante local de trânsito de petróleo e gás natural entre os golfos Pérsico e de Omã. Um grupo de militantes com ligações à Al-Qaeda liderados pelo “jihadista” Mokhtar Belmokhtar, um bem conhecido terrorista do Magrebe islâmico, tomou de assalto o complexo de In Amenas sequestrando mais 800 trabalhadores de diferentes nacionalidades. O resultado direto deste episódio cifou-se em mais de 80 mortos entre reféns e terroristas. O problema e o impacto deste ataque ultrapassa em larga medida a perda de vidas humanas, a pior consequência do desfecho militar levado a cabo pelo exército argelino. Levanta a questão, muitas vezes “adormecida” da instabilidade que se vive em países que produzem uma boa parte das fontes energéticas que o mundo moderno “devora” insaciavelmente e a um ritmo crescente.
A Argélia é um dos principais abastecedores de gás do sul da Europa. Mais de metade do gás natural importado por Portugal vem deste país norte-africano. A escolha desta estrutura pelo grupo de terroristas não foi ocasional e deveu-se ao apoio da França e da própria Argélia que abriu o seu espaço aéreo à força aérea gaulesa ( a França é outro importante destino do gás argelino) facilitando a intervenção militar no vizinho Mali. Curiosamente, muita da nossa comunicação social pouco ou nada referiu sobre este assunto preferindo continuar a amplificar as deprimentes e vomito-indutoras tricas e quezílias do “debate” político-partidário nacional em vez de acompanhar este terrível acontecimento.
Os terroristas não são como os tigres e outros predadores: a estes, não os conseguimos extinguir, portanto, há que mantê-los controlados e quietos no seu canto. E isso custa dinheiro, muito dinheiro. A escolha de complexos de exploração energética como alvos de atentados é perigosa, oportuna e têm um impacto global impossível de determinar com exatidão. E este episódio vai relançar estas questões a nível mundial: até que ponto são seguras as maiores e mais importantes estruturas de produção de hidrocarbonetos, sendo que um número considerável delas se situa em zonas de grande instabilidade militar e política? Até que ponto uma ação terrorista bem organizada pode lançar o caos na geopolítica energética mundial? Qual o impacto nos preços que teria um ataque massivo e estratégico? Quais as consequências para as nações com maior dependência energética destes países? As dúvidas são muitas mas carecem de respostas concretas, rápidas e sustentadas.
Portugal tem vindo a focalizar-se na diversificação da sua carteira de fornecedores de hidrocarbonetos em zonas seguras. Brasil, Angola e Moçambique são já importantes abastecedores do mercado nacional. É uma estratégia positiva se pensarmos que estes países se situam em zonas de aparente paz. No entanto o impacto de uma crise energética provocada por um episódio de dimensão superior ao de In Amenas não excluiria as consequências num mercado globalizado e sensível como é o da energia fóssil.
Fazendo lembrar uma célebre campanha publicitária, a linha que separa a normalidade do caos no mundo da energia é decididamente ténue e muitas vezes ilusória. E se pensarmos bem, as consequências, até para nós que vivemos neste paraíso natural no meio do nada, seriam devastadoras.
A independência energética, o sonho de qualquer nação neste século, é uma meta difícil. Mas a redução da dependência de países como Portugal deve ser uma prioridade, numa primeira fase.
Mas pior do que a dependência energética é a insegurança e fragilidade do modelo energético atual sustentado pelos hidrocarbonetos e pela sua sensibilidade geopolítica.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O NUCLEAR AJUDA O PETRÓLEO NÃO CONVENCIONAL

O mapa energético mundial tende a alterar-se radicalmente nas próximas duas décadas, com os Estados Unidos a tornarem-se no maior produtor global de petróleo, segundo a mais recente avaliação da Agência Internacional de Energia. No seu relatório World Energy Outlook 2012, a agência prevê ainda que os combustíveis fósseis vão continuar a ser a principal fonte de energia no mundo e que a Terra encaminha-se assim para um aumento de 3,6 graus Celsius na sua temperatura média a longo prazo. A principal transformação salientada pela Agência Internacional de Energia (AIE) vem do desenvolvimento extraordinário da exploração de hidrocarbonetos não-convencionais na América do Norte – como o gás e o petróleo extraídos de formações rochosas pouco porosas (o “shale gas” e o “tight oil”) nos Estados Unidos, ou as areias betuminosas no Canadá. Estas areias são uma mistura de alta viscosidade, cor escura e facilmente inflamável, composta por hidrocarbonetos. Na província canadiana de Alberta situam-se aquelas que são consideradas as segundas maiores reservas mundiais de areias betuminosas. 




A sua exploração para produção de petróleo é altamente controversa devido à forte pegada ecológica que produzem. A quantidade exorbitante de energia necessária ao aquecimento destas areias para extração do petróleo é uma das desvantagens do aproveitamento deste recurso.
Entretanto, a nipónica Toshiba está a construir um pequeno reator nuclear que se espera pronto a funcionar daqui a 7 anos para produzir energia (calor) permanente, abundante, a baixo custo e sem emissões poluentes para alimentar o processo de tratamento das areias de Alberta. Este reator de pequena dimensão (produz 1 a 5 por cento de uma central nuclear convencional) depois de devidamente aprovado pelas autoridades americanas e canadianas entrará ao serviço e não precisará de ser abastecido durante 30 anos!
Aliás são cada vez mais os reatores de baixa/média potência indicados para zonas isoladas e remotas.
Após o acidente de Fukushima em 2011 e apesar da esquizofrénica febre anti-nuclear um pouco por todo o mundo, a energia termonuclear não está morta, longe disso. Os próprios japoneses depois de terem anunciado o abandono gradual do seu programa nuclear já voltaram atrás perante as evidencias da sua importância no mix energético do país. A Alemanha, outra recente anti-nuclear, vai demorar mas acabará por ceder à importância da energia atómica num sistema energético sustentável.
Com as centrais de 4ª geração a caminho e com as boas notícias vindas de França e Koreia no domínio da fusão nuclear, de que falarei noutro post, a energia atómica está aí com promessas de um novo fôlego.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

OS HUMANOS SÃO UMA PRAGA NA TERRA?!



O conhecido ecologista e naturalista britânico Sir David Frederick Attenborough, famoso pelos seus programas televisivos sobre a vida na Terra emitidos pela BBC, deu recentemente uma entrevista onde afirmou que “os humanos são uma praga na Terra”! Attenborough, diz que a natureza vai virar-se contra nós caso não se controle o aumento da população. “Os humanos estão a ameaçar a sua própria existência, assim como de todas as outras espécies, ao usarem todos os recursos do planeta.”, afirmou na entrevista. Disse ainda que “temos que limitar o crescimento da população ou a própria natureza encarregar-se-á de o fazer”.
O limite que define a sobrepopulação dificilmente será calculado com mínima precisão ou aceitabilidade. Ninguém sabe, afinal nem ao certo, quantos humanos suporta o planeta. A dita sobrepopulação(?) causa problemas de poluição local ou regional e pressões de ecossistemas. Já a questão da falta de recursos parece-me duvidosa. Será mais uma questão de desequilíbrio no acesso a esses recursos.
Há cerca de 200 anos o também inglês Thomas Malthus  defendia a relação desequilibrada entre população e recursos naturais. Na sua obra “An Essay on the Principle of Population”, que teve seis revisões a última amplamente citada por outro "guru" da evolução humana e das espécies, Charles Darwin, Malthus contestou a visão de uma sociedade perfeita e próspera na Europa do século XVIII afirmando que o poder do Homem sobre a natureza é infinitamente maior do que a capacidade da Terra em prover a sua subsistência. Os receios de Malthus vieram a mostrar-se pouco realistas com o advento da revolução industrial que trouxe ao Homem uma produtividade que baralhou as contas dos seguidores de Malthus. Atualmente a humanidade é capaz de satisfazer as suas necessidades básicas .
Mas afinal como controlar a população humana? Até onde podemos e devemos ir? Qual o tal número que determina a sustentabilidade da pressão humana sobre o planeta Terra?
Uma forma de controlar a população humana é através de abrangentes programas de controlo da natalidade. Outra é mantendo uma parte do mundo pobre, com défice de cuidados básicos de saúde e/ou deficiente alimentação como parece defender Attenborough.
E se virmos este problema de outro ângulo? E se permitíssemos aos países e regiões mais pobres do mundo que vivessem a sua própria revolução industrial? E se lhes permitíssemos o acesso a eletricidade e energia abundante (de acordo com a ONU, 1300 milhões de pessoas não têm acesso a eletricidade), trazendo-lhes melhores qualidades básicas de vida, mais desenvolvimento e tecnologia, mais “humanidade” ao fim e ao cabo? Provavelmente aconteceria o mesmo que acontece atualmente na Europa e América do Norte com o crescimento demográfico a regredir.
Nivelar a sustentabilidade por baixo, reduzindo o nível de vida do planeta não me parece a opção mais correta. Deixem os países mais pobres percorrerem o caminho que o Ocidente já percorreu. O ambientalismo tem vindo progressivamente a aproximar-se de um "radicalismo anti-humano" perigoso e esse sim, uma verdadeira praga!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

CHINESES SUFOCADOS!

No passado dia 13 o "The New York Times" noticiou (ver aqui a notícia) que os níveis de poluição atmosférica em Pequim estão a atingir níveis inimagináveis. Um equipamento instalado na embaixada dos Estados Unidos na capital chinesa registou nesse dia uma concentração de partículas nocivas para a saúde na ordem dos 755 microgramas por metro cúbico. Os escalões do exigente Air Quality Index americano revistos recentemente pelo National Ambient Air Quality Standards for Particle Pollution e que reproduzo abaixo vão até 500 microgramas por metro cúbico)!
 
FONTE: National Ambient Air Quality Standards for Particle Pollution

Recorde-se que a Organização Mundial de Saúde determinou que valores acima de 500 microgramas por metro cúbico são considerados 20 vezes acima do que se pode considerar seguro para a saúde pública.

Estas duas imagens de satélite tiradas pela NASA são ilucidativas:




 FONTE: Earth Observatory:

The Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) on NASA’s Terra satellite acquired these natural-color images of northeastern China on January 14 (top) and January 3, 2013. The top image shows extensive haze, low clouds, and fog over the region. The brightest areas tend to be clouds or fog, which have a tinge of gray or yellow from the air pollution. Other cloud-free areas have a pall of gray and brown smog that mostly blots out the cities below. In areas where the ground is visible, some of the landscape is covered with lingering snow from storms in recent weeks. (Snow is more prominent in the January 3 image.)

As previsões apontam para que o consumo de energia na China continue a aumentar nas próximas décadas, indicador de que a qualidade do ar que os chineses respiram continuará a deteriorar-se quanto maior for a produção industrial, maior for o número de veículos nas estradas e mais forem as centrais elétricas e industrias chinesas a queimar combustível. A questão é apenas: até onde pode isto ir? O que farão os chineses quando já não tiverem água potável para beber ou ar minimamente puro para respirar?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

SEGURANÇA ELÉTRICA: MAIS VALE PREVENIR...



Eis uma questão à qual a maioria dos leitores não consegue responder. A eletricidade é, talvez, a forma de energia mais fascinante descoberta até hoje pelo Homem. O seu domínio ao nível da produção, utilização e aplicação traçou o destino da humanidade nas mais variadas áreas. Lazer, educação, saúde, investigação, ciências, telecomunicações, transportes, conforto, um número extraordinário de utilizações e aplicações faz da energia elétrica o “motor” do planeta. Hoje seria inconcebível um mundo sem esta forma de energia. Se tentarmos contar as vezes que ao longo do dia estamos em contacto com a eletricidade, chegaríamos facilmente às largas dezenas ou mesmo centenas. Se pensarmos um pouco, apercebemo-nos espontaneamente da enorme lista de equipamentos que diariamente utilizamos, em casa ou no trabalho, e para cujo funcionamento a energia elétrica é indispensável. Assim, seria natural que a consciência dos riscos da utilização da energia elétrica estivesse, também, sempre presente. A realidade parece não ser assim e a segurança elétrica é um conceito ainda pouco enraizado nos portugueses. Embora para muitos de nós não seja óbvio, é comum a instalação elétrica das habitações portuguesas estar dezenas de anos sem qualquer intervenção, ainda que os edifícios tenham sido alvo de remodelação.
A eletricidade é um bem precioso mas também perigoso! E a sua utilização comporta riscos. Curto-circuitos, choques elétricos ou incêndios são apenas alguns problemas associados a uma instalação elétrica que não cumpra todas as regras de segurança, pelo que esta deve ser uma questão central nas casas de todos nós.
Estima-se que 3,9 milhões de casas em todo o território português, construídas antes de 2006, tenham as suas instalações elétricas desatualizadas e potencialmente em situação de risco. Nesse ano entrou em vigor nova legislação que veio adaptar o anterior regulamento às novas exigências decorrentes da natural evolução dos perfis de utilização, frutos da evolução tecnológica e da massificação da utilização de equipamentos com maior exigência ao nível da segurança e do consumo. O que se verifica é que as instalações existentes não foram, na generalidade, alvo dessa adaptação mantendo-se inalteradas. Por outro lado, estatísticas internacionais indicam que aproximadamente 90% dos incêndios têm origem elétrica: nos equipamentos instalados, em curto-circuitos ou sobreaquecimento da instalação, por exemplo. Muitos destes acidentes acarretam avultados danos pessoais, materiais e financeiros que poderiam ser minimizados se a instalação elétrica cumprisse as mais recentes normas de segurança como instrumento fundamental para prevenir riscos, quer os relativos à segurança individual quer os associados à própria instalação e aos bens nela existentes.
Paralelamente, uma instalação deficiente acarreta problemas ao nível da eficiência podendo ocorrer desperdícios consideráveis e perfeitamente evitáveis.
A intervenção periódica qualificada numa instalação elétrica é, pois, determinante para a nossa segurança, conforto e, simultaneamente, potencia a eliminação de perdas energéticas que inflacionam a fatura elétrica. E poderemos fazê-lo a um reduzido custo, pelo menos quando comparado com o que resultará de uma intervenção na sequência de acidentes que podem resultar em danos irrecuperáveis como a perda de vidas humanas.
Pense em contatar um técnico qualificado para uma revisão/manutenção da sua instalação elétrica. Se o faz com o seu carro, com o esquentador ou até mesmo com a sua saúde, porque não fazê-lo com algo que lhe pode tirar tudo isso?
Mais vale prevenir…

domingo, 30 de dezembro de 2012

BALANÇOS



À beirinha da entrada num novo ano é altura de se fazerem os habituais balanços e reflexões sobre os doze meses que terminam e perspetivar a dúzia que se segue. Ele há balanços para todos os gostos. Desde os mais complexos e exatos, como os contabilísticos e “Excelianos”, aos mais pessoais, sentimentais e apaixonados. Certo é que todos nós gostamos de “balançar” nesta época em jeito de preparação para o futuro. Aliás é uma forma de fazermos jus à máxima “ano novo vida nova”.
O ano que agora termina trouxe-nos de tudo um pouco e foi vivido com grande incerteza que transita para 2013.  No entanto, em 2012 talvez o mundo tenha percebido de uma vez por todas que vive num modelo de desenvolvimento absolutamente insustentável. E quando escrevo o “mundo” refiro-me aos que sofrem na pele com esta globalização criada pela alta finança para empobrecer uns e enriquecer outros tornando os seres humanos em meros peões que alimentam a avidez dos “senhores do dinheiro”, autênticos saqueadores dos tempos modernos que, à distância de um clique, jogam as suas “peças” no xadrez económico mundial. Cada vez mais temos a noção de que o mundo está mais pequeno. Porque a economia global tenderá a voltar a ser local. É este o resultado da famosa globalização que nos “venderam” como geradora de riqueza, desenvolvimento, sustentabilidade e equidade. Um mundo estrangulado e dominado por meia dúzia de abutres sedentos de dinheiro e poder.
No domínio da energia, 2012 veio confirmar que um novo mapa mundial se começa a desenhar. O aperfeiçoamento de tecnologias de exploração de recursos de difícil acesso (petróleo e gás) fizeram com que a Agência Internacional da Energia projetasse os Estados Unidos como potencial maior produtor mundial destas fontes daqui a mais ou menos 20 anos, ultrapassando árabes e russos. A exploração dos recurso submarinos aumentou consideravelmente. Hoje, extrair petróleo em águas muito profundas é uma realidade incontornável. Este aumento, inequivocamente relacionado com a exaustão do petróleo convencional, trará consequências ao nível dos preços. As novas técnicas são substancialmente mais dispendiosas e ambientalmente imprevisíveis. O sistemas energéticos mundiais encontram-se, a terminar 2012, nos mais variados estágios de desenvolvimento. No entanto todos os países partilham o mesmo problema: todos se encontram longe da sustentabilidade, um trilema que relaciona a capacidade de satisfazer a procura, com equidade de custo para todas as populações e reduzido impacto ambiental.
No topo da lista dos países mais sustentáveis (ou menos insustentáveis se preferirmos)  estão a Suécia, a Suíça, o Canadá e a Noruega. E o segredo parece ser a diversidade de fontes nas suas matrizes energéticas. Desenha-se um modelo em que nenhuma fonte será dominante como até agora tem sido. O sucesso estará na integração de várias fontes, renováveis e não renováveis, umas a trabalhar com as outras. Veja-se o uso de centrais solares nas modernas tecnologias de extração gás de xisto, nos Estados Unidos. Até as economias emergentes já o perceberam. A relação economia-energia espelhou-se na relação consumo-crescimento económico. Os países que viram as suas economias crescer viram, também, aumentar o consumo de energia enquanto os países estagnados ou economicamente retraídos observaram um decréscimo de consumo, como Portugal e as suas regiões autónomas. Em jeito de conclusão pode dizer-se que o mundo percebeu, em 2012, que o seu padrão de desenvolvimento terá de se alterar. A intensidade que o Homem coloca na expurgação dos recursos naturais do planeta tornou-se uma ameaça letal. A solução é a diversificação das matrizes energéticas, a racionalidade no consumo e a eficiência. O ano 2012 nunca mais voltará e o planeta nunca mais será como é no virar do ano. Poderá, daqui a doze meses, estar a melhorar. Assim queiramos “balançar” no sentido certo.
Um excelente 2013 para todos! 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PORQUE É NATAL...



E pronto! Chegou mais um Natal e foi-se mais um ano. Nesta época é normal fazermos um balanço do ano que passou e projetar o que se segue. Envolvidos numa crise económica e social sem precedentes a tentação é encarar o futuro com algum pessimismo. Ao proceder desta forma estaremos a agudizar as dificuldades e a atrair más energias!

Neste espaço onde os temas energia e sustentabilidade são reis e senhores deixo uma mensagem de esperança, força e positivismo! Porque acredito que 2013 será uma ano de adaptação a uma nova realidade e a uma nova vida para muitos de nós.

A vitória só será alcançada recorrendo à mais poderosa, abundante e sustentável fonte energética do planeta! A NOSSA ENERGIA! A que nasce do nosso querer, determinação, perseverança e  espírito de cidadania.

Afinal, a energia é fonte de VIDA! E com MAIS ENERGIA, MAIS VIDA!

Um abraço de BOAS FESTAS e um Feliz 2013!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

UM NOVO PARADIGMA: A BEM OU A MAL!


Para quem ainda tinha dúvidas, o relatório “Living Planet Report 2012” publicado pelo World Wide Fund for Nature confirma a insustentabilidade do modelo económico e de desenvolvimento do mundo moderno. A nossa pegada ecológica, um indicador da pressão humana sobre a natureza que compara a exploração da biosfera em contraste com a capacidade regenerativa da Terra e dos seus recursos naturais, estabelece que, atualmente, o mundo “consome” o equivalente a um planeta e meio para suportar a sua atividade. A este ritmo e insistindo neste modelo, continuaremos a exigir do planeta muito mais do que naturalmente ele nos pode dar. Um dos termos que “nasceu” com a globalização e a internacionalização dos mercados foi a palavra “commodity”, um anglicismo que significa simplesmente mercadoria, bem ou matéria-prima, normalmente extraída da terra e que se carateriza por ter um preço mais ou menos universal sem atender a origens ou marcas. Como exemplos de “commodities” temos o arroz, o cobre, o algodão, o feijão, a soja, o trigo, a borracha, o carvão ou o petróleo. Na mudança do século XX para o XXI deu-se algo curioso e alarmante. O preço do cabaz das principais “commodities” decresceu a uma taxa média anual de 1,2% durante o século XX. Isto deu-se apesar dos picos dos preços durante as duas Grandes Guerras e na crise petrolífera dos anos setenta. Este admirável decrescimento teve origem no aumento da eficiência dos processos produtivos e fomentou o crescimento económico global. Todavia, a situação mudou na viragem do século, entre 2000 e 2010. O preço do mesmo cabaz de bens subiu em dez anos, praticamente o mesmo que caiu durante todo o século XX! O motivo parece ser o extraordinário aumento da procura dos países em desenvolvimento - China, Brasil, Índia, Rússia, México, Turquia e outros. O aumento exponencial do consumo destes bens está a torná-los mais escassos, o que tem duas consequências inevitáveis: por um lado a subida dos preços aumenta a pressão sobre os sistemas financeiros à escala global, regional e nacional, especialmente nos países em estagnação ou contração económica. Outra consequência é que o aumento do consumo está a ter um impacto cada vez mais nefasto sobre o ambiente, o que, por sua vez, também afeta negativamente as economias. Não existe melhor exemplo para se perceber este mecanismo do que considerarmos as “commodities” energéticas.


 Mais de 80% das fontes primárias de energia que movem este mundo continuam a ser de origem fóssil, o que contribuiu decisivamente para o aumento das emissões de CO2 e para a intensificação das alterações climáticas. Por mais que os profetas da conspiração o  queiram negar, este facto parece cada vez mais incontornável.  Estas por sua vez aumentam a frequência dos eventos climatéricos extremos que reduzem a produtividade agrícola à escala regional, afetando negativamente a economia e a segurança alimentar. Com o aumento da população mundial amplamente atribuída aos países com economias emergentes, a procura de recursos naturais energéticos continuará a crescer, embora encontrar novas fontes e assegurar a sua viabilidade económica e ambiental da sua extração seja cada vez mais crítico e dispendioso. Além disto satisfazer a procura exige um investimento crescente em inovação e aumento da produtividade num contexto em que o acesso ao crédito é cada vez mais difícil. Não restem dúvidas de que estamos perante um paradigma de desenvolvimento mundial insustentável. É imprescindível uma transição para um novo modelo baseado na equidade e que associe as necessidades a médio e longo prazo das economias às variáveis ecológicas e ambientais. É uma transição difícil que irá exigir uma alteração comportamental de todos nós. E assim será, a bem ou a mal!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

iLumini: INOVAÇÃO E EFICIÊNCIA


 Large and Small iLumis with App

Na semana passada, empreendedores norte-americanos apresentaram uma nova lâmpada LED eficiente, a iLumini que pode durar 20 anos e ser controlada por um smartphone. A lâmpada utiliza a tecnologia HyperLux, que permite a sua programação em termos cromáticos e utiliza a tecnologia Bluetooth para receber informação. Tal como vários outros projectos de empreendedorismo norte-americanos, a iLumi está em processo de financiamento. Segundo os dois autores do projecto, Corey Egan e Swapnil Bora, a iLumi pode ser programada através dos sistemas operativos Android e iOS, e produzem uma multiplicidade de cores e sombras.
Cada iLumi tem um alcance de 30 metros e pode, inclusivamente, comunicar com outras lâmpadas, através de uma rede de bluetooth. Por outro lado, as lâmpadas podem ser customizadas para horários individuais, que as ligam e desligam ou tornam mais fortes e fracas. Podem também mudar de cor em vários momentos do dia.
Mais: as lâmpadas têm sensores de proximidade e acendem-se e desligam-se à medida que uma pessoa anda pela casa. Podem, ainda, sintonizar uma rádio ou música, através de aplicações que podem ser compradas.
Segundo os responsáveis pela nova lâmpadas inteligentes, quem comprar a iLumi pode poupar 25% dos custos de energia por mês, sendo que esta se paga múltiplas vezes ao longo de 20 anos. A lâmpada, de 15 watts, pode cortar os custos anuais em €260. 

Bluetooth Control    

Mobile App
 iLumi Scene


Assista ao vídeo promocional:
http://vimeo.com/ilumisolutions/ilumilaunch

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ENERGIA: UM NOVO IMPULSO?



Com um novo governo regional, uma nova orgânica governativa e uma nova dinâmica, desejável e imprescindível, exigem-se desafios estruturantes para a prometida “governação renovada”. Confirma-se que continuará a existir uma direção regional afeta à energia (DRE), integrada na Secretaria Regional do Turismo e Transportes. A integração da energia nesta estrutura governativa pode ser questionável mas o que importa é entender e definir quais os desafios para a futura DRE. Na sua intervenção no âmbito da apresentação do programa de governo, o novel secretário do turismo e transportes dedicou alguns (poucos) parágrafos do seu discurso ao setor energético da região e à estratégia delineada para o impulsionar e dinamizar. Reconhecendo a sua importância e caráter determinante, o governante elencou alguns pontos que lançam para a opinião pública a ideia de que os segmentos renováveis e eficiência energética serão, porventura, os desígnios emergentes da futura política energética regional. Reconhecendo a importância do setor elétrico como um os mais importantes para o desenvolvimento dos Açores, afirmou que não abdica da convergência do tarifário elétrico. Não se trata de abdicar ou não mas sim de esperar que a folha de cálculo do ministro Gaspar não lhe “diga” para cortar a subsidiação do tarifário elétrico regional, poupando alguns milhões de euros à república e lançando o setor energético regional em colapso e, por arrasto, as nossas carteiras. Propõe ainda o Secretário Vítor Fraga disponibilizar análises de eficiência energética a baixo custo aos lares e aos empreendimentos interessados. Não me parece que seja esta uma missão direta do governo mas sim do setor empresarial. A menos que o governo pretenda tornar-se concorrente das unidades que podem e devem oferecer esse serviço às populações e empresas. Outra estratégia que  parece transpirar da proposta é a intenção de criar condições ao surgimento de um maior número de micro e mini produtores elétricos integrados na rede elétrica regional. Numa região com a nossa configuração geográfica e elétrica, conciliar esta abordagem com o peso e monopólio da EDA e com a matriz física existente não se afigura como fácil, ou sequer exequível. Falou ainda na consolidação da implementação dos programas de sensibilização para uma utilização racional da energia elétrica e para a requalificação do edificado açoriano para parâmetros de maior eficiência energética. Neste domínio a DRE deverá desempenhar um papel fulcral, passando de mera estrutura licenciadora e administrativa a unidade dinamizadora e implementadora de programas sérios e abrangentes que possam criar alicerces que consolidem uma maior sensibilidade dos açorianos para o paradigma da energia no mundo atual. Quanto à mobilidade elétrica tudo se resume a duas questões: aceitação social e incentivos financeiros, com estes a serem determinantes e porventura impeditivos na atual conjuntura económica.
Em resumo, os desafios impulsionadores estão lançados. Para a sua concretização é imprescindível uma Direção Regional da Energia com novas ferramentas funcionais e financeiras, com autonomia operacional e com uma nova missão que ultrapasse as fronteiras de mera executante administrativa, técnica e legislativa. Terá de conciliar as funções atuais, ao nível de licenciamentos e certificação, com uma dinâmica proativa e responsiva em consonância com as restantes instituições regionais, públicas e privadas, empresas, escolas e instituições de ensino/formação para que, de uma vez por todas, a sociedade entenda a eficiência energética como uma estratégia estrutural e não circunstancial, sendo, ainda, a estratégia menos dispendiosa num cenário de melhoria da nossa sustentabilidade.