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domingo, 24 de novembro de 2013

LIÇÕES DE UMA VIAGEM EM BALÃO


Bertrand Piccard é um psiquiatra e balonista suíço que em 1999 completou a primeira volta ao mundo em balão, sem escalas, acompanhado pelo inglês Brian Jones. A bordo do Breitling Orbiter 3, iniciaram o percurso na Suíça e voaram 45755 km até ao fim da sua viagem no Egito, 19 dias 21 horas e 47 minutos depois.
Durante a sua viagem, numa certa madrugada, Piccard tirou uma fotografia à janela do seu balão coberta com uma camada de gelo criada pela humidade da noite. Através da camada gelada podia ver-se o nascer do sol que, na visão metafórica do suíço representa o desconhecido. Piccard compara esta imagem ao que classifica como o grande problema das nossas sociedades: o medo de enfrentar o que nunca foi visto, o que não é óbvio para quem não se atreve a atravessar o gelo para ver o que está do outro lado. Bertrand Picaard descreve um pioneiro ou empreendedor não como alguém que tem ideias novas mas sim aquele que se liberta de hábitos, certezas, convicções, pontos de exclamação, preconceitos, paradigmas e dogmas, permitindo-se atravessar o gelo abrindo múltiplas linhas direcionais na sua vida. E isto pode aplicar-se à política, às finanças, à educação, ao ambiente. Piccard acredita que o mundo pode ser melhor se a política se libertar das trincheiras da esquerda e da direita porque assim nos libertamos desses dogmas, que podemos fazer muito mais pelo ambiente se afastarmos o “fundamentalismo verde” que alguns têm demonstrado no passado, que podemos melhorar o nosso espiritualismo se nos libertarmos de preconceitos religiosos.
Quando se viaja num balão por vezes torna-se difícil perceber a que altitude se pode voar, desconhecem-se as direções das camadas vento. Por isso é fundamental o apoio dos “homens do tempo”, como descreve Piccard. E conta-nos um episódio desta viajem de circum-navegação. Certo dia o seu “homem do tempo” mandou-os voar muito baixo e muito devagar. Ao refazer os seus cálculos com Jones, concluíram que não chegariam ao seu destino àquela velocidade. Resolveram voar, então, mais alto e a maior velocidade comunicando essa decisão ao seu meteorologista que de imediato lhes ordenou que descessem rapidamente de altitude para voarem mais lentamente. Piccard negou-se a fazê-lo afirmando que não tinham gás suficiente para voar tão baixo e tão devagar. O meteorologista afirmou que com as baixas pressões que tinham à sua esquerda, dali a duas horas mudariam de trajetória e acabariam no Pólo Norte! E questionou Piccard sobre se ele preferia voar rápido na direção errada ou voar mais devagar na direção certa. Foi então que decidiram descer de altitude e alterar completamente a estratégia de voo mesmo sabendo que o sensor de combustível os ameaçava quando atravessaram o Pacífico. Nesta altura perceberam que não havia volta possível. E o medo, a crise, instalou-se nos seus pensamentos. Alguns dias depois aterraram no destino final apenas com 40 dos 3700 kg de gás propano com que iniciaram o percurso.
A experiência narrada por Piccard e Jones a bordo do seu balão traz-nos várias lições. Uma delas é, inequivocamente, que a mudança está ao alcance de qualquer um, saibamos nós interpretar e aceitar os sinais e alertas à nossa volta.
Na política, na religião, na economia, na educação, na energia, em todos os setores que possamos imaginar e até mesmo nas nossas vidas individuais, a mensagem destes dois aventureiros parece clara e evidente.
Não vale a pena insistir em políticas, modelos, métodos, teorias, experiência ou receitas, quando todos os sinais indicam o descalabro, a insustentabilidade e a miséria. 
Decisores dos mais variados quadrantes da sociedade devem saber quebrar o gelo e vislumbrar o que está do outro lado. Sem medo do desconhecido e do não óbvio. Abrir novas linhas de pensamento e saber ler os sinais que os rodeiam, afastando dogmas e preconceitos, interesses e compadrios como quem larga lastro numa viagem de balão. Assim se vencem crises. Assim se atingem objetivos. Assim se consegue a sustentabilidade em qualquer domínio. Assim se revelam os verdadeiros pioneiros e empreendedores. Assim se salvam nações.

sábado, 13 de julho de 2013

UNIVERSIDADE DE AVEIRO ESTUDA O FUTURO SEM PILHAS

Todos estes projetos ainda são protótipos
Quem diria que, um dia, o coelho da Duracell poderia correr sem as pilhas que lhe dão o nome? Na cabeça da maioria das pessoas, a probabilidade não deve ser muita alta, mas a realidade é que esta possibilidade é muito mais verosímil do que parece. É para um futuro sem pilhas e fios que Nuno Borges Carvalho trabalha.
O investigador do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro é o principal responsável por uma série de elementos que se encontram na dianteira do desenvolvimento de produtos que funcionem sem recurso a pilhas.
Entre os diferentes projetos atualmente a decorrer na Universidade de Aveiro, o professor destaca um soalho que alimenta os objetos que se encontram em cima dele ou um sistema para colocar sensor em rolhas de cortiça. Tudo para "retirar pilhas de todos os utensílios que existem em casa".
"No nosso grupo dedicamo-nos à produção de aparelhos que funcionem através de wireless power transmission. Vamos buscar energia ao ar ou a outros locais, com recurso a tecnologia de indução mútua ou utilizando uma antena receptora de energia", explica ao Expresso Nuno Borges Carvalho. 
Nuno Borges Carvalho realça que todos estes projetos ainda são só protótipos, e que ainda há que percorrer um longo caminho até estarem disponíveis comercialmente. Os que estão mais próximos são cientistas do MIT, nos EUA, que estão prestes lançar produtos do género no mercado, como televisões ou impressoras. 
Destes produtos, o projeto que até agora mais se destacou foi o do comando de televisão sem pilhas, da responsabilidade de Alírio Boaventura.
O estudante de nacionalidade cabo-verdiana, que se encontra a fazer doutoramento sob orientação científica de professor Nuno Borges de Carvalho, viu em março o seu trabalho distinguido pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers.

Notícia do semanário EXPRESSO
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/universidade-de-aveiro-prepara-futuro-sem-pilhas=f819534#ixzz2Ywezsdtp

segunda-feira, 10 de junho de 2013

NOVA LÂMPADA TUBULAR DA PHILIPS PROMETE DUPLICAR EFICIÊNCIA ENERGÉTICA


A gigante da indústria luminotécnica Philips anunciou que desenvolveu a lâmpada mais eficiente do mundo  na cor "branco quente" utilizando tecnologia LED. Projetada para substituir a iluminação fluorescente tubular que é amplamente utilizada em escritórios e instalações industriais, o novo TLED (tubo de díodos emissores de luz) tem o potencial de reduzir o consumo de energia em todo o mundo de forma significativa. A inovação na indústria de iluminação LED é geralmente medida com base em dois aspetos - a redução de custos e melhorias de eficiência. O primeiro é refletido no preço final enquanto o segundo é medido em termos de lumens por watt (lm/W), que traduzem a quantidade de luz visível emitida em função do consumo de energia elétrica.
De acordo com um Philips, o novo protótipo de tubo de iluminação produz 200 lm/W e deverá custar apenas um pouco mais(?) do que as lâmpadas fluorescentes tubulares tradicionais que produzem tipicamente entre 58 e 93 lm/W. 
Mas, sem dúvida, a inovação mais significativa com o novo TLED é que este produz branco quente (~ 2700K), o tipo de luz que maioria das pessoas prefere para a iluminação interna. Uma maneira fácil de aumentar a eficiência da lâmpada é aumentar a temperatura de cor. Assim, o facto de Phillips ter conseguido manter a temperatura neste intervalo inferior, embora atingindo os 200 lm/W, é ainda mais impressionante.
Globalmente, a iluminação representa 15-19% do consumo total de energia e as contas de iluminação do tubo fluorescente por mais da metade do mercado de iluminação. No contexto deste anúncio recente, a nova lâmpada da Philips chegará ao mercado no verão de 2015 e terá potencial para reduzir o consumo de energia em todo o mundo em mais de 7%.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

POSEI ENERGIA: UM NOVO FÔLEGO PARA OS AÇORES?

De acordo com uma nota divulgada pelo gabinete da Eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves, a sua Emenda sobre a criação de um POSEI para a energia foi hoje aprovada:


Decorreu esta manhã a votação do Relatório Manner sobre "Desafios e oportunidades actuais na área das energias renováveis no mercado europeu da energia".
Segundo a Eurodeputada Patrão Neves "este relatório debruça-se sobre a Comunicação da Comissão Europeia intitulada Energias Renováveis: um agente decisivo no mercado europeu de energia e prevê a diversificação do aprovisionamento energético com vista à melhoria da competitividade europeia mediante a criação de novas actividades económicas, postos de trabalho, crescimento económico e oportunidades de exportação, reduzindo simultaneamente as emissões de gases com efeito de estufa. De facto, relativamente às energias renováveis, o objectivo é muito ambicioso e é um dos mais relevantes na Estratégia Europa 2020 para um crescimento sustentável e nós nos Açores, podemos e devemos tirar proveito destas orientações, dadas as condições excepcionais que dispomos neste sector, como sejam a geotermia, a energia eólica, hídrica, entre outras."Reconhecendo a importância deste relatório para os Açores, especialmente numa lógica de redução de custos, de protecção ambiental e de um desenvolvimento sustentável, Patrão Neves apresentou contributos para o mesmo no sentido de potencializar a participação das regiões ultraperiféricas, como os Açores, neste domínio. Neste contexto, a sua proposta de um Posei energia foi aprovada esta manhã em Bruxelas.
Segundo a Eurodeputada "tendo em conta a importância que as estratégias sustentáveis desenvolvidas a nível local desempenham em termos de desenvolvimento regional e social, julgo que se tornaria necessário, dados os condicionalismos geográficos e as nossas especificidades, a criação de um programa específico na área da energia, tipo POSEI, de modo a fazer face a todas as situações que atrás referi e explorar eficazmente o potencial único dos Açores."E assim aconteceu.

A finalizar a sua intervenção, Patrão Neves afirmou "esta é mais uma pequena vitória para os Açores, que a curto ou a médio prazo, caso tudo se mantenha como está, poderá vir a disponibilizar para os Açores algum financiamento específico para que a região consiga alcançar as metas previstas na Estratégia 2020, ao nível do recurso às energias renováveis".

Trata-se de uma excelente notícia para os açorianos. Espera-se que este financiamento possa servir para a consolidação da Região como pólo de investigação e desenvolvimento na área da energia, uma capacidade que defendo há muito tempo e que com esta conquista recebe um novo impulso.
Recordo que os Açores, de há uns anos a esta parte, ultrapassa a média europeia em matéria de produção de eletricidade por via renovável e a meta dos 20% definidos na Estratégia Europa 2020.
No período 2007-2010 assistimos a uma produção renovável média de 27,1% na Região com um pico de 30% em 2011 e um ligeiro decréscimo (28%) em 2012. Embora existindo, ainda, alguma margem de manobra, estes valores tenderão a estabilizar em torno destes números. Os condicionalismos nas nossas micro-redes e a tendência para a redução dos consumos face aos constrangimentos económicos que vivemos condicionam económica e tecnicamente o incremento da produção renovável em terras açorianas.
Em 2010 a produção renovável nos Açores foi de 28,1% sendo a média dos 27 países da UE de 19,9%. Em 2012 não será difícil adivinhar que a meta dos 20% foi ultrapassada.

Electricity generated from renewable energy sources, EU-27, 2000-2010

domingo, 17 de fevereiro de 2013

EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS: NOVO VIDRO CAPAZ DE GERAR ENERGIA


Oxford PV Products
Cada vez mais se perspetiva o aumento da produção descentralizada de energia elétrica para consumo próprio dos edifícios ou para entrega às redes de distribuição públicas ou privadas. Estas terão, mais cedo ou mais tarde, de se adaptar a esta realidade emergente evoluindo no sentido de adquirirem capacidade para gerir a penetração deste contributo na maioria dos casos intermitente.
A par deste caminho que me parece incontornável, a evolução tecnológica segue o seu rumo natural surgindo a cada dia novas técnicas e produtos que consolidam a ideia de cidades ou regiões com enorme capacidade de aproveitarem os recursos naturais para produzirem a sua própria energia.
É um tema complexo do ponto de vista técnico e económico mas os sinais que surgem um pouco por todo o mundo parecem garantir este modelo futuro de integração de sistemas mini e microprodutores nas grandes redes de energia. 
Foi recentemente noticiado um projeto de uma empresa inglesa que consiste na criação de um vidro transparente e colorido capaz de gera energia elétrica a partir da luz solar com custos reduzidos. Estima-se que as novas células solares representariam um aumento de apenas dez por cento no valor final dos vidros para a construção civil, segundo a responsável pelo projeto, a Oxford PhotoVoltaics.
Atualmente, o principal recurso utilizado para gerar energia elétrica a partir da luz solar nos prédios consiste em painéis fotovoltaicos, estruturas de grande dimensão instaladas no cimo dos prédios, cuja instalação ainda representa um investimento elevado.
Para já o rácio de conversão energética é de apenas 10,7% mas a companhia prevê o crescimento da eficiência do processo para valores idênticos ou superiores aos das células utilizadas nos painéis convencionais.
Esta semana, a Oxford PhotoVoltaics anunciou que recebeu um contributo de mais de 2,3 milhões de euros da empresa MTI Partners que deve ajudar o negócio a atingir a via comercial, segundo o site Design Build Solar.
O objetivo, esse é simples: balancear a relação consumo/produção energética dos edifícios tornando-os, portanto, mais sustentáveis. Fazer com que as infraestruturas consumam menos energia e produzam mais, para auto-consumo e/ou venda do excedente. 

fonte: Oxford PhotoVoltaics

sábado, 9 de fevereiro de 2013

SuperDARN: O CARNAVAL CIENTÍFICO CONTINUA!



Nos últimos quatro ou cinco anos foi “vendida” aos açorianos a ideia de que o arquipélago se encontra na vanguarda da ciência espacial. Chegámos mesmo a ler e a ouvir referências a um “cluster espacial" nos Açores. Lançou-se a construção de um parque tecnológico ao qual se deu o nome, até giro e high-tech, de Nonagon, que albergará (há quem acredite) empresas como a Microsoft e outras do género. No Pico existe uma estação de medição da poluição atmosférica em altitude a que dão o simpático nome de PICO-NARE mas que não passa disso mesmo, um equipamento de monitorização e registo de dados. Assim como existe na Graciosa uma estação internacional de deteção de ensaios nucleares com uns quantos sensores que debitam informação para uma qualquer base de dados informatizada e instalada sabe-se lá onde. Em Santa Maria existe uma estação de rastreio espacial, com mais uma antena e afins, que não trouxe nada de novo à região apesar do seu potencial.
Pelo meio desta verborreia de falácias e falsos vanguardismos veio a notícia do envolvimento da região no projeto SuperDARN cujo último episódio ocorreu na passada semana com a assinatura de contratos de arrendamento de terrenos para a instalação de infraestruturas. As palavras do novo secretário regional que tutela estas matérias de tecnologia, anunciam um discurso mais realista e cauteloso não escapando, no entanto, à tentação de fazer com que as coisas pareçam mais do que afinal são. Em primeiro lugar convém perceber minimamente o que é isto do SuperDARN. Trata-se de um projeto internacional de nome Super Dual Auroral Radar Network que tem como objetivo estudar a atmosfera superior da terra e a ionosfera fornecendo aos cientistas dados que permitam, além de melhor compreender os fenómenos eletromagnéticos nestas camadas, analisar a propagação e reflexão de ondas de alta frequência. Esta tecnologia é por muitos relacionada com outro projeto americano, o HAARP (High Frequency Active Auroral Research Project) dadas as suas semelhanças concetuais. O HAARP, tido como uma investigação para melhorar as comunicações, é também apontado como uma tentativa de criar uma “arma climatérica” com a capacidade de despoletar eventos extremos como secas, cheias, tempestades, furacões, terramotos ou até mesmo fadiga crónica nas populações. Ainda se desconhece se a argumentação dos teóricos da conspiração do HAARP tem fundamento mas os sinais e as análises já publicadas são no mínimo preocupantes..
É importante que se perceba de uma vez por todas que quem decide trazer estes projetos para a região não somos nós. Para quem realmente escolhe e decide, somos vistos como nove pedaços de terra que emergem das águas atlânticas e, ora vejam que sorte, isso até acontece em coordenadas geográficas oportunas! Isto quer dizer que estas antenas e estações vêm cá parar assim como iriam “aterrar” em ilhas onde não houvesse um único ser vivo, se fosse o caso de estarem mais bem posicionadas. Afirmar que estamos na vanguarda da tecnologia ou que se desenha um cluster espacial regional são declarações políticas despropositadas. Continuar a afirmar que a presença destes equipamentos vai dinamizar a economia regional, criar emprego e aumentar o fluxo de visitantes à região é insistir numa ilusão. E a continuar-se por essa via, ainda haverá quem queira converter o Parque Urbano de Ponta Delgada num campo de lançamento de vai-e-vens espaciais ou as Portas do Mar num centro de lançamento de satélites com a marca Açores.
O Carnaval continua, apenas mudaram as máscaras dos “matadores” da ciência nos Açores. O setor energético, esse, fica sempre no fundo da memória de quem sonha com uns Açores vanguardistas. Lembram-se da central de energia das ondas do Pico, uma das únicas do género no mundo? 



Sabem o que fizeram com este projeto científico? Já agora, sabia que decorre uma espécie de peditório intitulado “HELP THE PICO POWER PLANT”?

Isto, meus senhores, é o que se faz com a ciência por estas bandas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CARRO ELÉTRICO: BATERIAS DE LÍTIO-AR EM 2020


Karl Marx disse um dia que a história se repete sempre. Primeiro como uma tragédia e depois como uma farsa. O mundo tende a aceitar os carros eléctricos, puros ou híbridos, como os veículos do futuro. Mas a verdade é que este futuro podia muito bem ser o presente e andarmos todos a conduzir veículos menos poluentes se não fosse a inigualável capacidade humana de cedência a lobbies de interesses económicos em detrimento da sustentabilidade. Pois é, corriam os anos de mil oitocentos e tais, em pleno século XIX, as damas e os cavalheiros de então passeavam-se em luxuosas carroças mas também em… carros eléctricos. Sim, a tecnologia eléctrica em que hoje se projecta o futuro da nossa mobilidade automóvel já existia numa época em que as donzelas vestiam espartilhos e volumosos vestidos, enquanto os homens trajavam fraques e cartolas.
Apesar da simplicidade das tecnologias dessa época, nasceram máquinas que ainda hoje nos fascinam pelo seu engenho e performance. A barreira dos 100km/h, por exemplo, foi atingida em 1899 pelo belga Camille Jenatzy no seu “La Jamais Contente”, um curioso veículo em forma de torpedo. 

"La Jamais Contente"

Em 1900, Ferdinand Porche apresentava um veículo eléctrico já com os motores integrados nas rodas e Waldmar Junger – pai da bateria de Níquel-Cádmio – conseguiu para o seu modelo uma autonomia de 150km. Quando o mítico Ford T – o primeiro carro a ser produzido em massa – saiu da linha de montagem os carros eléctricos eram mais populares do que os veículos com motores de combustão interna, barulhentos, poluentes e que arrancavam com uma manivela tal como se vê nos filmes a preto e branco dessa altura.

Ficheiro:TModel launch Geelong.jpg
Ford T

O ano de 1913 pode muito bem ter sido o início da tragédia da viatura eléctrica. Com a descoberta do motor de arranque eléctrico pela Cadillac, deixou de ser necessário ter um físico de Rambo para pôr a trabalhar um carro. Com esta invenção aliada à queda dos preços do Ford T produzidos em massa, o motor de combustão interna ganha terreno e atira o eléctrico para fora de combate.
Depois, a dar razão ao que apregoava Marx, deu-se um episódio que representa uma autêntica farsa. Na sequência do alarme que soou devido ao problema da poluição, antes ainda da polémica do aquecimento global, alguns fabricantes como a Toyota, a própria Ford ou a General Motors (GM) fizeram renascer o veículo eléctrico surgindo, entre 1996 e 2003, modelos como o RAV4, a primeira geração do Prius ou o mítico EV1 da americana GM. 

File:EV1A014 (1) cropped.jpg
EV1

Inicialmente comercializados em sistema de locação financeira de curto prazo para análise em uso real pelos seus proprietários, rapidamente estes modelos se transformaram num êxito entre aqueles que se davam ao luxo de os poder adquirir. As marcas começaram a ter que lidar com um problema: o sucesso dos seus modelos eléctricos. As inovações raramente chegam à comercialização quando a ideia coloca em causa  o lucro final do inovador. Ou seja, a última coisa que os fabricantes queriam era pôr em causa o altamente lucrativo negócio dos bebedouros de combustível! Não queriam fabricar carros de baixa manutenção quando tinham a possibilidade de produzir viaturas alimentadas a gasolina e diesel que teriam que voltar ao stand para mudar o óleo, fazer a revisão mecânica ou verificações de rotina onde os seus proprietários deixam o seu dinheirinho engordando o lucro dos insaciáveis gigantes da industria automóvel.
A farsa continuou com a entrada em cena de outros figurantes encabeçados pelas empresas petrolíferas. Voltaram a aproveitar o problema da autonomia para descredibilizar o carro eléctrico, compraram as patentes das baterias para travar o seu desenvolvimento tecnológico e impedir que a sua inovação chegasse ao mercado. Ironia das ironias e depois de uma batalha jurídica travada entre os gigantes da industria automóvel e petrolífera, de um lado, e os proprietários das viaturas eléctricas e diversos grupos ambientalistas, do outro lado, os primeiros conseguiram, inclusivamente, fazer vencer a teoria de que os seus próprios carros fariam aumentar a poluição, já que, sendo caros, fariam com que os automobilistas andassem mais tempo com as suas velharias (!). Portanto, haveria que simplesmente exterminá-los como se de um vírus mortífero e sanguinário se tratasse. Foi o que aconteceu, apesar do inglório esforço de grupos de cidadãos e proprietários desses carros que os viram “prensados” como lixo, literalmente falando porque isto aconteceu mesmo! Os pouco modelos que sobraram foram doados a museus e universidades.
Agora, com a necessidade de reduzir as emissões carbónicas e criar um novo cluster de penetração de fontes renováveis, técnicos e engenheiros (talvez os mesmos de há 6 anos) tentam ressuscitar o carro eléctrico procurando soluções para a massificação da tecnologia eléctrica. Não será para já, é certo. Mas a verdade é que, não tivesse a história estes negros episódios, a realidade das nossas estradas podia, hoje, ser bem mais silenciosa, limpa e económica. Bastava que a tecnologia que nasceu no século XIX tivesse seguido um percurso natural de investigação e desenvolvimento como tantas outras coisas – ou pelo menos as coisas em que as grandes corporações não vislumbram ameaças à sua hegemonia.
Entretanto e para que o carro elétrico possa "vingar" há que resolver dois problemas, ambos relacionados com o sistema de armazenamento de energia - as baterias. A este nível coloca-se o preço (o que inflaciona definitivamente o custo das viaturas) e a sua autonomia. Se os atuais veículos comercializados teriam sucesso em ilhas como as dos Açores ou Madeira, ou em pequenas cidades, certo é que a sua massificação só ocorrerá quando conseguirem alcançar maiores distâncias entre cargas. A investigação continua tendo agora Toyota e a BMW anunciado uma parceira para desenvolvimento da próxima geração de baterias de automóveis que se espera vir a ser mais potente do que as de iões de lítio, usadas na maioria dos veículos eléctricos sendo capaz de gerar uma grande parte das necessidades de um carro a partir do consumo de ar. O resultado traduz-se em baterias mais potentes do que as utilizadas actualmente em carros eléctricos.
A nova bateria permitirá aos veículos percorrer cerca de 805 Km com uma carga. As duas empresas anunciaram que o novo sistema estará completo em 2020.
Fonte: IBM Research

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

iLumini: INOVAÇÃO E EFICIÊNCIA


 Large and Small iLumis with App

Na semana passada, empreendedores norte-americanos apresentaram uma nova lâmpada LED eficiente, a iLumini que pode durar 20 anos e ser controlada por um smartphone. A lâmpada utiliza a tecnologia HyperLux, que permite a sua programação em termos cromáticos e utiliza a tecnologia Bluetooth para receber informação. Tal como vários outros projectos de empreendedorismo norte-americanos, a iLumi está em processo de financiamento. Segundo os dois autores do projecto, Corey Egan e Swapnil Bora, a iLumi pode ser programada através dos sistemas operativos Android e iOS, e produzem uma multiplicidade de cores e sombras.
Cada iLumi tem um alcance de 30 metros e pode, inclusivamente, comunicar com outras lâmpadas, através de uma rede de bluetooth. Por outro lado, as lâmpadas podem ser customizadas para horários individuais, que as ligam e desligam ou tornam mais fortes e fracas. Podem também mudar de cor em vários momentos do dia.
Mais: as lâmpadas têm sensores de proximidade e acendem-se e desligam-se à medida que uma pessoa anda pela casa. Podem, ainda, sintonizar uma rádio ou música, através de aplicações que podem ser compradas.
Segundo os responsáveis pela nova lâmpadas inteligentes, quem comprar a iLumi pode poupar 25% dos custos de energia por mês, sendo que esta se paga múltiplas vezes ao longo de 20 anos. A lâmpada, de 15 watts, pode cortar os custos anuais em €260. 

Bluetooth Control    

Mobile App
 iLumi Scene


Assista ao vídeo promocional:
http://vimeo.com/ilumisolutions/ilumilaunch

sábado, 17 de novembro de 2012

LUXOS E LIXOS

A par da evolução tecnológica – uma das faces positivas da globalização – a deslocalização da produção dos chamados “gadgets” eletrónicos para os países em desenvolvimento onde a mão de obra é substancialmente mais reduzida veio tornar o seu custo acessível a quase todas as pessoas. No entanto a avidez humana leva ao desequilíbrio e à irracionalidade. O lixo eletrónico (e-waste, como é mundialmente conhecimento) tem-se tornado num sério problema e materializa o lado negro da globalização. Hoje em dia entre 20 a 50 milhões de toneladas de lixo eletrónico são produzidas por todo o mundo. Computadores, monitores, televisores, telemóveis, impressoras, leitores de DVD e muitos outros equipamentos são descartados pelo homem a um ritmo alucinante mesmo antes do seu fim de vida. Mesmo que o bom senso nos leve a entregar o nosso lixo eletrónico num centro legalmente habilitado para a sua reciclagem, o mais certo é que o lápis negro da globalização trace o seu destino até África ou, mais provavelmente, até à vila de Guiyu, na China, conhecida como a capital mundial do lixo eletrónico.  
Nos países desenvolvidos ocidentais, reciclar um computador pode custar 16€, enquanto em Guiyu custa 1,5€! Ou seja, o mais certo é que os equipamentos produzidos na China – o maior fabricante de eletrónica do mundo – viajem até ao ocidente e depois voltem como lixo à sua origem! Em Guiyu, outrora uma fértil vila da província de Guangdong no sul da China, cerca de 150.000 pessoas trabalham 18 horas por dia para retirar tudo o que se possa aproveitar do lixo eletrónico para vender. Cobre, ouro, platina, prata, paládio são recuperados de forma primitiva e sem quaisquer medidas de proteção para os operários e muito menos para o meio ambiente. A terra tornou-se imprópria devido às toxinas acumuladas e a água potável tem de ser transportada de uma localidade a 20km de distância. A água em Guiyu é escura e ácida.
Recorre-se a químicos altamente tóxicos para remover componentes de placas eletrónicas e queimam-se elevadas quantidades de plástico, metais pesados como o chumbo ou o mercúrio e outros químicos perigosos nas ruas onde vivem e onde os seus filhos brincam. A taxa de cancro, doenças respiratórias e renais, infertilidade e malformações fetais são alarmantes.
Apesar da existência de legislação internacional o certo é que, legal ou ilegalmente, 70% do lixo eletrónico de todo o mundo continua a viajar para Guiyu enquanto o mundo assiste com uma inércia e impavidez que desafia a racionalidade da raça humana.
A globalização que nos foi imposta esconde a gravidade do problema do lixo eletrónico. Porque o fabrico, a produção, o consumo e o descarte ocorrem em diferentes locais por todo o mundo, as reais consequências deste problema são muito difíceis de determinar. Não julguemos que este problema está isolado em Guiyu. O modelo de globalização atual não derrubou apenas as fronteiras alfandegárias e económicas. Também fez cair as barreiras à proliferação da poluição e da contaminação através de bens que viajam por todo o mundo.
Graças a esta globalização tudo o que acontece numa cidade, num país ou numa sociedade tem impacto no mundo inteiro, fruto da gigantesca teia comercial e tecnológica que une os 7000 milhões de homens mulheres e crianças deste planeta. 
Talvez seja bom pensarmos que, enquanto milhões de pessoas acampam dias a fio junto às portas das lojas só para serem os primeiros a adquirir o novo modelo de telemóvel, de tablet ou de máquina fotográfica digital e sentirem aquela “realização” virtual e efémera de tirarem a virgindade à caixinha cuidadosamente selada e embrulhada em película plástica brilhante, algures no outro lado do mundo ou ali mesmo ao lado, seres humanos cuidam da sua morte acelerada enquanto procuram ganhar uns míseros 10 cêntimos à hora para recuperarem alguma coisa rentável do computador, do telemóvel ou da impressora que descartámos só porque é “démodé”. E faltou falar da estúpida quantidade de energia consumida neste ciclo. Mas não faltarão oportunidades, certamente.






terça-feira, 13 de novembro de 2012

SMART HIGHWAY

Chama-se Smart Highway e é um conceito  mais ou menos inovador cujo primeiro protótipo está destinado a nascer na Holanda já em 2013! O projecto, que ganhou recentemente o prémio Best Future Concept, foi desenvolvido pelo Studio Roosegaarde e será implementado com a ajuda da Heijmans, uma empresa de infraestruturas holandesa.

Uma estrada que brilha no escuro...
As linhas nas estradas são pintadas com tinta luminescente que absorve a luz solar e brilha até 10 horas após escurecer, diminuindo a necessidade de iluminação artificial elétrica.


Pintura dinâmica...
Uma tinta especial sensível à temperatuda permanece invisível na estrada até que o mercúrio caia para temperaturas aproximadamente de zero graus. Nestas condições, aparecem figuras na estrada que avisam os automobilistas para o perigo de gelo ou neve.


Iluminação interativa...
Este sistema eficiente e ambientalmente sensível mantem a estrada às escuras até sensores detetarem a aproximação de um veículo. À medida que as viaturas passam a iluminação aumenta o seu brilho e de seguida reduzem a sua intensidade. Além de poupar energia este sistema é fantástico para estradas com pouco trânsito e combate o efeito da poluição luminosa em algumas zonas sensíveis.


Iluminar com o vento...
Imagine uma estrada com centenas ou milhares de pequenos aerogeradores ao longo da berma! Estes captam a deslocação de ar provocada pela velocidade das viaturas e, teoricamente, produzem eletricidade suficiente para iluminar a estrada.


Faixa prioritária indutiva...
Bobines de indução serão embebidas no pavimento de uma faixa prioritária destinada a veículos elétricos que carregam baterias enquanto se deslocam aumentando o seu alcance.


Para mais informações visitar o sítio do estúdio Roosegaarde aqui.